De uns tempos para cá, depois de muitas coisas ruins acumuladas, comecei a escutar frases do tipo "Nossa, você tá bem? Está com uma cara de poucos amigos hein" ou "Você anda diferente, tão abatida"... Mal as pessoas sabiam o que eu estava passando escutando aquelas coisas.
Enfim. Não costumo comentar sobre minhas fraquezas com ninguém justamente por todos acharem que para sair de uma depressão basta querer. E é por esses pensamentos sem fundamento que muitas pessoas chegam aos extremos.
Acho que tudo começou há muito tempo atrás, na minha infância ainda, com todo o "regime militar" que era imposto dentro da minha própria casa. Escutei tantas ofensas e palavras ruins vindas da minha mãe, que me arrisco a dizer que ela é uma das pessoas que mais me magoou até agora (apesar de amá-la muito). Mas fui guardando e ignorando, apesar de estar muito ferida por dentro. E as consequências disso tudo foram aparecendo aos poucos: o medo de me relacionar com as pessoas, a carência emocional, a agressividade (sempre justificada como se fosse herança genética do meu pai; a culpa de tudo era sempre dele), dentre outras coisas que foram surgindo com o tempo.
Passada a minha infância, começaram os problemas comuns de adolescência: amores não correspondidos, brigas entre amigos e, o pior de tudo, a constante briga entre mim e eu mesma para ver se eu conseguia descobrir quem eu era de verdade. Mas quem derá que só esses tivessem sido os meus problemas. Eu sofri bullying durante anos e também engoli muitas ofensas por causa disso. Aguentei calada, até o momento em que me vi na mesma situação que me vejo agora: a ponto de fazer uma loucura com a minha própria vida e com a vida de pessoas inocentes a minha volta. Fui escutada e amada por uma anja (minha antiga psicóloga, Sandra) durante aproximadamente 2 anos, que me estimulou a retomar as rédeas da minha vida e me devolveu a vontade de ver a vida de outra maneira...
Pois bem... durante os últimos anos, vim passando por outros tipos de problemas (um pouco mais sérios), mas também vim me mantendo forte. A vida me tirou um avô maravilhoso, um tio muito querido, amigos muito importantes e com a vida inteira pela frente e um alguém que nunca pensei que fosse amar tanto nessa vida. Quase perdi meu pai, vi minha família enfraquecer diante a obstáculos dolorosos. Amigos me viraram as costas no momento em que mais precisei e isso nunca me machucou tanto... perdi a minha autoconfiança e hoje me sinto dependente de pessoas para vivcr.
Tenho medo da perda, tenho medo da solidão, tenho medo de enlouquecer -se é que já não estou enlouquecendo - e tenho medo de me transformar em um monstro maior do que sou hoje. Tenho medo de perder o controle de mim e fazer algo que no fundo, eu não quero.
Mas entre tantos medos que ganhei ultimamente, me vejo forte quando penso na minha morte. Não tenho medo da morte. Muito pelo contrário! Às vezes penso que essa é a única solução para a dor que eu sinto. Às vezes peço a Deus que me leve para que eu possa descansar em paz e deixe de sentir essa agonia, que dói mais do que qualquer dor física que eu já senti.
Perco o sono de madrugada com o choro me sufocando, choro escondido para que as pessoas não sintam pena de mim, seguro as lágrimas para parecer forte, machuco as pessoas antes que elas me machuquem, vou embora antes de apegar. E tomo essas atitudes para não me magoar mais ou magoar os outros, só que ninguém entende. Ninguém nunca vai entender que não sou assim porque quero, mas porque sou condicionada para isso, feito um robô.
A verdade é que sou feita para fugir... fugir de sentimentos, de atitudes, de reações, de ações. Sou feita para viver sozinha, porque só tenho defeitos. Defeitos que as pessoas jogam em minha cara o tempo inteiro. Sou egoísta, preconceituosa, imprestável, grossa, relaxada, infantil, insensível, manipuladora... se falasse todos os defeitos aqui, ficaria horas a fio só nisso. E como alguém desse jeito pode viver no meio dos outros? Como que alguém desse jeito pode se relacionar e ser feliz? Isso é impossível!
Hoje só tenho vontade de sumir... ir para algum lugar longe de tudo e todos, para colocar meu pensamento no lugar, se é que isso é cabível. Vontade de me sentir dona de mim mesmo de novo! Dona das minhas verdades, dos meus sentimentos e atitudes, sem medo de ser feliz! Sem medo de nada nem ninguém... principalmente, sem medo de mim.